Falta de Água ou descaso com a Infraestrutura.

Dizem que Deus é brasileiro. Aparentemente, nossos governantes também acreditam nessa máxima. Basta não chover para ficarem ainda mais evidentes os sérios problemas de falta de infraestrutura nas áreas de eletricidade e de abastecimento do nosso bem mais precioso, ou seja, a “água”.

Em relação à água, ou melhor, à falta dela, já passamos da hora em que é necessária plena consciência acerca de sua utilização racional, a fim de minimizar os sérios problemas de abastecimento que estamos vivendo, em especial na cidade de São Paulo. Mais do que oportuna também é discussão acerca da universalização do saneamento básico, que inclui o abastecimento de água potável encanada e esgoto tratado, uma vez que com o nível de investimento atual no setor, nem mesmo em 20 anos chegaremos a níveis aceitáveis de países desenvolvidos.

Atualmente, menos da metade (48%) da população brasileira tem acesso à rede de coleta de esgoto, sendo que de todo o esgoto gerado, apenas 38% recebe algum tipo de tratamento. Os esgotos que não são tratados acabam sendo despejados todos os dias em nossos rios, lagos, bacias e no mar, e isto contribui diretamente para a degradação de nossos mananciais, além de causar doenças, em especial nas crianças. A Organização Mundial de Saúde afirma que cada R$ 1,00 investido em Saneamento Básico gera a economia de R$ 4,00 na área de saúde.

E o que tem isso a ver com a cidade de São Paulo? Simples: a falta de investimento em infraestrutura de saneamento somada à falta de chuvas está levando a um colapso no abastecimento de água na Capital como podemos verificar:

A região metropolitana de São Paulo é abastecida por um sistema integrado sendo que, para a capital, o Sistema Cantareira (Zona Norte, Central, Oeste e parte da Leste) é o maior, atualmente com um volume armazenado de apenas 9,2%. Em segundo temos o sistema Guarapiranga (Zona Sul e Sudoeste), com volume armazenado de 75,8%, Alto Tietê (Zona Leste), com volume de 34,2% e Rio Claro (Bairro de Sapopemba), com volume de armazenamento de 100,3%. O restante da região metropolitana é abastecido pelo Sistema Alto Cotia, volume de armazenamento de 49,1%, e Sistema Rio Grandes, volume de armazenamento de 94,0%.

Pelos dados acima, notamos que na região metropolitana não deveria faltar água, pois temos sistemas de armazenamento acima de 70 a 100% e dois críticos, sendo o pior o da Cantareira que pode nos levar rapidamente ao racionamento de água. Para o leigo é difícil entender, como pode faltar água se temos no total desses sistemas um volume armazenado suficiente para abastecer sem problemas a Região metropolitana. A única explicação é a falta de investimento em infraestrutura em nosso país, estados e municípios.

De quem é a culpa? Não cabe aqui nesta poucas linhas discutir ou julgar. Dessa forma, a fim de minimizar os problemas atuais, além de aguardar pelo acaso das chuvas e de um maior compromisso por nossos dirigentes no sentido de correrem atrás do prejuízo gerado pela falta de investimentos, cabe priorizar o uso racional da água e energia, com as várias dicas publicadas pelos diversos órgãos de governo e entidades.

Sugerimos ainda:

1- Tornar obrigatório que novos empreendimentos e todos os condomínios comerciais ou residenciais acima de 2000 m2 (dois mil metros quadrados) de área construída, no prazo de 1 (um) ano, tenham:

• Sistema de água de reuso (pluviais), para áreas comuns, lavagens, irrigação e esgoto;

• No caso de possuírem lagos, reservatórios decorativos ou piscinas, que durante as estiagens (inverno, falta de chuva), possuam sistema de emergência para que seja utilizado nos reservatórios de reuso, sendo reversível (forneçam e recebam água);

• Obrigatoriedade da racionalização da utilização da agua com torneiras temporizadas, descargas para líquidos ou sólidos, chuveiros acionados por pedal, etc;

• Programas de racionalização de consumo de energia e eficiência energética.

2 – Relativamente aos prédios públicos, que:

• Escolas e creches criem sistema de conferência mensal de consumo per capita, premiando a eficiência;

• Hospitais e ambientes de saúdes utilizem, sempre que possível, roupa, aventais, mesa e cama descartáveis e sustentáveis;

• Onde for possível, sejam utilizados poços artesianos, captação em reservatórios contra enchentes (piscinões) com o devido tratamento;

• Obrigatoriedade de captação em todos os prédios da água da chuva para reuso;

• Programas de modernização e eficiência energética.

3 – Além disso, sugerimos novas atitudes ao poder púbico, tais como:

• Estudo das bacias;

• Captação em canais de desvio pluvial;

Fonte de pesquisa: SNIS -2011 (Ministério das Cidades), Sabesp (09/05/14), Instituto Trata Brasil.

Luiz Alberto de Araújo Costa

Presidente da APeMEC

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