A inflação acelerou em setembro para todas as faixas de renda, tanto na margem quanto no acumulado em doze meses, aponta o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda. O índice é calculado com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No mês, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 0,48%, após deflação de 0,09% em agosto. Para as famílias de renda muito baixa, os preços passaram de uma deflação de 0,12% em agosto para alta de 0,34% no mês seguinte. Já para as famílias de renda alta, foram de queda de 0,06% no oitavo mês do ano, para alta de 0,53% em setembro.

?Embora a forte alta do grupo transportes ? em especial, combustíveis (4,2%) e passagens aéreas (16,8%) ? tenha pressionado a inflação de todas as faixas, este impacto foi bem mais intenso no segmento composto pelas famílias de maior poder aquisitivo, dado o peso destes itens na cesta de consumo desta classe?, observa Maria Andreia Parente Lameiras, técnica de planejamento e pesquisa do Ipea, em relatório.

Ainda em termos relativos, a analista destaca que o grupo de despesas pessoais, influenciado pelas altas dos serviços pessoais (0,42%) e de recreação (0,30%), gerou maior contribuição para a inflação das classes mais ricas.

Por outro lado, a alta dos grupos alimentos e bebidas e habitação gerou incrementos maiores para a inflação das famílias mais pobres. ?Por serem itens de maior peso no dispêndio das classes mais baixas, os reajustes do aluguel (0,24%), da energia elétrica (0,46%), dos cereais (1,7%) e dos panificados (0,9%) influenciaram mais fortemente a inflação dos segmentos de menor renda?, destaca o Ipea.

Com o resultado de setembro, no acumulado do ano, a trajetória de inflação segue mais amena para as famílias mais pobres (2,99%) em comparação aos segmentos de renda mais alta (3,63%). Em 12 meses, a variação observada nas classes mais baixas é de 3,90%, comparado a 4,85% para as mais ricas.

Fonte: Valor - Macroeconomia , 10/10/2018