Principal parque fabril do país, o Estado de São Paulo pesou na queda da indústria nacional em agosto, ao recuar 0,9% em relação ao mês de julho. O desempenho foi afetado principalmente pela paralisação da Refinaria de Paulínia (Replan), a maior da Petrobras, atingida por um incêndio em 20 de
agosto.

De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal-Regional (PIM-Regional), divulgada ontem pelo IBGE, São Paulo foi um dos seis locais pesquisados com queda de produção na passagem de julho para agosto. Nesse período, a indústria nacional recuou em média 0,3%, segundo mês consecutivo de baixa no indicador.

Além do Estado de São Paulo, as perdas de ritmo de produção em agosto, pela série com ajuste sazonal, foram vistas nas indústrias dos Estados do Amazonas (-5,3%), Pará (-1,1%), Espírito Santo (-0,9%), Santa Catarina (-0,7%) e Rio de Janeiro (-0,3%), conforme a pesquisa do IBGE.

No caso do Estado do Amazonas, segunda maior influência negativa para o resultado nacional da indústria no mês, o impacto veio da paralisação de terceirizados na Refinaria Isaac Sabbá, da Petrobras. Também pesou a menor produção de insumos voltados para o setor de bebidas.

A maioria dos Estados, porém, teve um mês de maior produção em suas indústrias. As altas mais acentuadas foram as de Mato Grosso (3%), Bahia (2,7%) e Pernambuco (2,6%). Também avançaram Ceará (1,5%), região Nordeste (1,5%), Rio Grande do Sul (0,8%), Paraná (0,7%), Minas Gerais (0,5%) e Goiás (0,2%).

Segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), em relatório divulgado ontem, os números do IBGE sugerem uma "razoável disseminação" do mau desempenho do mês. Esse espalhamento já havia sido indicado pelo número de ramos do setor no vermelho em agosto: 14 dos 26.

"Isso claramente relativiza o papel desfavorável de alguns impactos pontuais em agosto, tal como a paralisação técnica de uma refinaria paulista. Dá a entender que a perda de dinamismo pode ser mais sistêmica do que o resultado de eventos isolados", avaliou o Iedi.

Quando comparado a agosto de 2017, houve alta em 11 dos 15 locais. Por essa base de comparação, a produção cresceu 2% pela média nacional. Os destaques foram Rio Grande do Sul (12,3%), Pernambuco (11,7%) e Pará (11,0%). No Rio Grande do Sul, o resultado foi impulsionado, principalmente, pelos avanços em veículos e celulose.

Na comparação com agosto de 2017, a produção da indústria de São Paulo cresceu 0,7%. Neste caso, o resultado é ajudado pelo avanço das montadoras de veículos (1,92%), máquinas e equipamentos (1,95%), produtos químicos (0,24%) e produtos farmoquímicos (0,20%).

Fonte: Valor - Macroeconomia, por Bruno Villas Bôas, 10/10/2018