Lula manda construir dois túneis de 23 quilômetros por R$ 3 bilhões após tragédia na BR-101; obra promete eliminar gargalo histórico, muda controle da rodovia e pode revolucionar o tráfego em Santa Catarina

O governo federal anunciou a construção de dois túneis no Morro dos Cavalos, trecho da BR-101 em Palhoça, na Grande Florianópolis, com investimento estimado em até R$ 3 bilhões e previsão de conclusão em 2029.

O anúncio foi feito durante a caravana Na Boleia do Brasil – edição Sul, iniciativa do Ministério dos Transportes que percorre rodovias estratégicas para acompanhar obras e dialogar com usuários da malha federal.

A proposta, elaborada pelo DNIT, vem acompanhada de uma reorganização contratual que transfere cerca de 23 quilômetros da rodovia, entre os km 221 e 244, do contrato da Arteris Litoral Sul para a concessão operada pela CCR ViaCosteira.

A iniciativa ganhou força após uma série de interdições e congestionamentos recorrentes no local, incluindo o bloqueio total provocado por queda de barreira e danos na pista durante um episódio de chuva intensa em abril de 2024.

Na ocasião, o tráfego ficou comprometido por mais de dois dias, com reflexos em rotas alternativas e no escoamento de cargas.

Projeto dos túneis mira segurança e fluidez no Morro dos Cavalos

O plano prevê dois túneis dimensionados para aumentar a segurança e melhorar a fluidez em um dos pontos mais sensíveis da BR-101 em Santa Catarina.

O Ministério dos Transportes informou que o projeto já conta com licença ambiental e será conduzido em diálogo com comunidades indígenas da região, um tema que historicamente atravessa discussões sobre intervenções no entorno do morro.

Durante o anúncio, o ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que a obra tem projeto definido e que a solução será a construção de dois túneis.

A solução será a construção de dois túneis, com total segurança, em entendimento com os povos originários e sem onerar a sociedade catarinense”, disse o ministro, ao detalhar que o projeto já está concluído, conta com licença ambiental e foi desenvolvido pelo DNIT.

Embora o cronograma ainda possa ser ajustado, o governo trabalha com um prazo contratual de até 12 meses para o início das obras.

A previsão oficial aponta conclusão em 2029 e um cronograma total de 48 meses, com 36 meses destinados à execução das intervenções no trecho do Morro dos Cavalos.

Mudança de concessão altera controle da BR-101

A peça central para viabilizar a obra é a transferência do trecho entre concessionárias.

Segundo o Ministério dos Transportes, o segmento entre os km 221 e 244 deixará de integrar o contrato da Arteris Litoral Sul e passará para o contrato da ViaCosteira, administrada pela Motiva.

A formalização deve ocorrer por meio de termos aditivos contratuais.

Na comunicação do governo e em reportagens locais, a justificativa apresentada é criar condições contratuais mais favoráveis, com a expectativa de manter tarifas menores e abrir espaço para um investimento que não estava equacionado no arranjo anterior.

Também foi registrada a promessa de que não haverá aumento de tarifa até o início das obras.

A mudança alcança ainda a praça de pedágio de Paulo Lopes, que deve passar para a gestão da ViaCosteira a partir de agosto de 2026.

Gargalo histórico expõe fragilidade logística da rodovia

Para quem vive da estrada, o anúncio representa a perspectiva de encerrar uma rotina marcada por atrasos e prejuízos.

Caminhoneiro há sete anos no Morro dos Cavalos, Moisés Silva de Oliveira, que transporta frutas e verduras para Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, relatou os impactos constantes das paralisações no trecho.

O Morro dos Cavalos concentra tráfego local, turístico e de cargas em um corredor que liga regiões estratégicas do Sul ao Sudeste do país.

Na prática, qualquer ocorrência no trecho tende a irradiar efeitos para além da Grande Florianópolis, com filas que se formam rapidamente e impactam prazos de entrega e deslocamentos diários.

Esse cenário ficou evidente na interdição de abril de 2024, quando a queda de barreira levou a bloqueios preventivos em diferentes quilômetros do trecho.

Com a rodovia fechada, motoristas foram direcionados para alternativas limitadas, e a lentidão se espalhou por acessos municipais e estaduais.

O próprio Ministério dos Transportes descreve o ponto como marcado por congestionamentos recorrentes e acidentes, tratando a intervenção como resposta estrutural para um problema que se arrasta há anos.

Com quatro décadas de experiência nas estradas, o ex-caminhoneiro Sergio João Vilder afirmou que os transtornos acumulados no Morro dos Cavalos geram desgaste físico, estresse e custos adicionais para quem depende da rodovia.

Se não tiver infraestrutura, como nós vamos andar?”, disse.

Investimento, tarifa e pontos ainda em aberto

Embora o prazo contratual para o início das obras seja de até 12 meses, o Ministério dos Transportes trabalha para antecipar o começo da construção ainda este ano.

A estimativa oficial divulgada pelo governo situa o investimento em até R$ 3 bilhões, enquanto reportagens regionais apontam uma faixa entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões, conforme o modelo de execução dentro da concessão.

Uma das discussões que acompanham o anúncio é como o investimento será acomodado no contrato e em que medida poderá se refletir em tarifas.

O Ministério dos Transportes sinalizou que eventuais ajustes tarifários vinculados ao investimento ocorreriam apenas após o início das obras e de forma escalonada.

Detalhes sobre valores-teto e mecanismos de cálculo, no entanto, ainda não aparecem de forma completa na comunicação pública.

Outro ponto acompanhado de perto é a possibilidade de ampliações futuras da BR-101, citada como uma ambição associada ao redesenho do trecho.

Segundo o governo, o projeto foi dimensionado para permitir expansão, mas a execução de novas ampliações dependerá de decisões posteriores.

Autoridades locais também destacaram o impacto esperado no cotidiano. O vice-prefeito de Palhoça, Rosiney Horácio, afirmou: “Essa obra é muito importante para nossa região. Essa rodovia registra muitas mortes, acidentes e filas quilométricas”.

 

 

Fonte: Click, Petróleo e Gás — Por Alisson Ficher — 01/02/2026

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