‘Tijolo de encaixe’ feito de terra chega na construção civil com redução de custos de até 40% na obra

O bloco de terra comprimida, também chamado de tijolo de solo-cimento ou tijolo ecológico, avança como alternativa na construção civil ao combinar alto teor de solo na mistura, montagem modular e menor geração de resíduos no canteiro.

A tecnologia ganhou espaço por dispensar a queima em fornos, simplificar etapas da obra e atender aos parâmetros mínimos de resistência exigidos no Brasil.

Na prática, o material é produzido com solo, cimento Portland e água em proporções definidas conforme a característica do terreno e a dosagem do projeto.

Publicações técnicas indicam que a mistura costuma trabalhar com predominância de solo e teor de cimento próximo de 10%, embora o percentual exato varie de acordo com ensaios e granulometria disponível.

Fabricação do bloco de terra comprimida e processo de cura

A fabricação abandona a lógica do tijolo cerâmico tradicional, endurecido em forno, e adota compactação mecânica seguida de cura úmida, reduzindo consumo energético e eliminando o uso de lenha.

Esse modelo permite que o bloco seja moldado com dimensões regulares, fator decisivo para o encaixe entre as peças e para a racionalização da alvenaria.

Depois de prensada, a peça precisa permanecer em cura pelo período indicado antes de ser aplicada na obra.

A NBR 8491:2012 estabelece que o material deve apresentar resistência média mínima de 2,0 MPa, com controle adicional de absorção de água.

Esse parâmetro explica por que resultados acima de 3 MPa são considerados satisfatórios quando o processo produtivo é executado corretamente.

Estudos acadêmicos mostram que a resistência cresce com o tempo de cura, podendo superar esse patamar em condições adequadas.

Sistema de encaixe reduz argamassa e acelera a obra

O principal diferencial do sistema está no desenho modular das peças, com furos e encaixes que facilitam o alinhamento das fiadas e permitem passagem interna de instalações.

Em parte dos sistemas construtivos, sobretudo a partir da segunda fiada, o assentamento pode ocorrer por encaixe direto, reduzindo significativamente o uso de argamassa.

Essa característica contribui para diminuir desperdícios, acelerar a execução e simplificar o canteiro.

Apesar disso, a execução não dispensa critérios técnicos rigorosos.

A obra exige modulação prévia, controle de nível e prumo, além do uso de canaletas, barras de aço e preenchimento com concreto ou graute em pontos definidos.

A presença dos furos longitudinais aumenta a produtividade ao reduzir cortes para instalações elétricas e hidráulicas.

Quando o projeto não é compatibilizado com o sistema, parte desse ganho pode ser perdida.

Resistência, acabamento e aplicação na construção

Tijolo de encaixe feito com até 90% de solo reduz custos, dispensa argamassa e atende normas com resistência acima de 2 MPa.
Tijolo de encaixe feito com até 90% de solo reduz custos, dispensa argamassa e atende normas com resistência acima de 2 MPa.

Outra diferença relevante está no acabamento final.

Como o bloco apresenta faces mais regulares, ele pode permanecer aparente em determinados projetos, reduzindo etapas como reboco e pintura.

Essa escolha depende do padrão estético desejado e da precisão da execução.

Em comparação com o bloco cerâmico tradicional, o solo-cimento elimina a etapa de queima e pode utilizar material do próprio terreno.

Esse fator contribui para redução de impacto ambiental e menor necessidade de transporte de insumos.

Pesquisas também associam o sistema a benefícios de conforto térmico e menor desperdício de materiais, embora os resultados variem conforme o projeto e o solo utilizado.

Economia na obra depende de múltiplos fatores

A redução de custos atribuída ao tijolo de encaixe resulta da soma de diferentes fatores ao longo da obra.

O sistema pode economizar material de assentamento, diminuir perdas, reduzir tempo de execução e simplificar instalações.

Além disso, o acabamento aparente permite cortar gastos com revestimentos. Os percentuais de economia não são uniformes entre os estudos.

Há registros de reduções em torno de 14,5%, outros próximos de 21%, e análises que indicam uma faixa entre 20% e 40% em comparação com métodos convencionais.

Esses resultados dependem diretamente da qualidade do projeto, da execução e da padronização do processo produtivo.

O avanço do bloco de terra comprimida no setor ocorre junto à necessidade de cumprir normas técnicas, realizar ensaios e garantir mão de obra qualificada. Sem esses fatores, o desempenho esperado pode não ser alcançado.

 

 

 

Fonte: Click, Petróleo e Gás – Por Alisson Ficher – 26/03/2026

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