Durante coletiva da Coalizão Indústria, presidente da ABCP apresentou um panorama detalhado dos desafios e perspectivas do setor
O presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Paulo Camillo Penna, apresentou nesta terça-feira (12) um panorama detalhado sobre os desafios e as perspectivas do setor cimenteiro durante coletiva de imprensa da Coalizão Indústria.
O evento reuniu lideranças dos principais segmentos produtivos do país para debater o cenário econômico nacional.
Em sua fala, Camillo destacou que a indústria do cimento atua em ciclos longos e que, após a construção de quase 40 novas fábricas entre 2006 e 2015, o setor opera com uma capacidade ociosa de quase 40%.
Atualmente, o Brasil consome 67 milhões de toneladas de cimento, enquanto a capacidade instalada de produção é de 109 milhões de toneladas.
O executivo explicou que dois terços do cimento brasileiro são consumidos em sacos — o que reflete o consumo artesanal ou a autoconstrução.
Segundo ele, esse segmento vem apresentando desaceleração, impactado diretamente por altas taxas de juros e inadimplência elevada, que limitam a capacidade de consumo da população.
“Apesar desses desafios, a indústria segue direcionando novos investimentos para o aumento de eficiência, competitividade e, sobretudo, descarbonização do setor”, comentou.
Para alavancar investimentos sustentáveis, o executivo ressaltou a importância de instrumentos de incentivo, como a medida de depreciação acelerada, que vigorou até o final do ano passado.
“O setor tem grande expectativa pelo envio de uma nova proposta governamental ao Congresso Nacional para reativar esse importante estímulo”, disse.
Após crescer 3,5% no ano passado, a projeção para o setor neste ano é de avançar apenas 1,8% — uma queda pela metade —, com expectativas ainda menores para o próximo ano.
Para a ABCP, os níveis atuais de financiamento e investimento são insuficientes diante das necessidades crônicas de infraestrutura do Brasil.
Para ilustrar a urgência, o presidente lembrou de gargalos severos existentes no país, onde apenas 12% das estradas são pavimentadas, o déficit habitacional atinge 5,7 milhões de moradias e menos de 50% das casas possuem acesso a esgoto tratado.
“O Brasil precisa de muito mais investimento, durante muito mais tempo, para suprir a demanda mínima da nossa população”, concluiu o dirigente.
Fonte: Revista Grandes Construções — Por Assessoria de Imprensa — 13/05/2026