FGV: pessimismo diminui na construção

Sondagem mostra ajuste positivo nas expectativas

O Índice de Confiança da Construção (ICST) subiu 0,7 ponto em junho, para 94 pontos, interrompendo a queda observada nos últimos dois meses. Na média móvel trimestral, o índice voltou a ceder, desta vez 0,4 ponto, sexta queda seguida.

Os dados são da Sondagem da Construção do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), com base em informações colhidas junto a 644 empresas entre os dias 2 e 23 de junho. O indicador vai de 0 a 200, refletindo confiança ou otimismo a partir de 100.

Segundo Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre, as medidas recentes de criação de nova faixa para o programa Minha Casa Minha Vida trouxeram perspectivas mais positivas para a demanda e alavancaram as expectativas das empresas do mercado de edificações. Assim, após duas quedas consecutivas, em junho a confiança setorial cresceu.

“De todo modo, o ambiente de negócios permanece mais hostil e desafiador, o que tem contribuído para uma percepção em relação à situação corrente dos negócios mais negativa: as empresas chegaram em junho menos confiantes do que há um ano”, ressalvou a economista.

Expectativas

A alta da confiança da construção, foi impulsionada pela melhora das perspectivas para os próximos meses. O Índice de Expectativas (IE-CST) cresceu 1,7 ponto, atingindo 96,3 pontos, maior nível desde dezembro do ano passado (97,5 pontos). O Índice de Situação Atual (ISA-CST) ficou ligeiramente estável ao variar -0,2 ponto, para 92 pontos.

Os dois componentes do ISA-CST variaram em sentidos opostos: o indicador de situação atual dos negócios avançou 0,4 ponto, alcançando 91,6 pontos, e o indicador de volume de carteira de contratos recuou 0,8 ponto, para 92,4 pontos.

Já entre os componentes do IE-CST, os dois indicadores subiram: demanda prevista nos próximos três meses cresceu de 1,8 ponto, alcançando 97,7 pontos, e tendência dos negócios aumentou 1,5 ponto, para 94,8 pontos.

Mão de obra escassa

Ana Castelo observa que, desde dezembro, o Indicador de Evolução Recente da Atividade tem ficado abaixo do patamar de neutralidade (100 pontos), mostrando um arrefecimento da atividade em curso.

“No entanto, a aparente redução de ritmo não contribuiu para diminuir as dificuldades com a escassez de mão de obra qualificada. Como as empresas se mostraram mais otimistas com a demanda dos próximos meses, também continuam a indicar novas contratações, mas houve redução no ímpeto. Ainda assim, o saldo permanece positivo, o que sinaliza a continuidade do quadro de escassez”, comentou a economista.

Utilização da capacidade

O Nuci (Nível de Utilização da Capacidade) da Construção variou -0,2 ponto percentual (p.p.), chegando aos 79,3%.

O Nuci de Mão de Obra ficou estável, enquanto o de Máquinas e Equipamentos variou 0,3 ponto percentual, para 81,0% e 73,9%, respectivamente.

 

 

Fonte: Sinduscon-SP – Por Rafael Marko – 25/06/2025

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