Atividade está em alta; expectativas, em baixa
O índice de satisfação com a situação financeira das empresas da construção apresentou queda de 4,5 pontos na passagem do quarto trimestre de 2025 para o primeiro trimestre de 2026: recuou de 49,5 pontos para 45 pontos, indicando claro cenário de insatisfação entre as empresas do setor.
Os dados são da Sondagem da Indústria da Construção da CNI (Confederação Nacional da Indústria), com informações de 308 empresas, sendo 117 pequenas, 128 médias e 63 grandes, coletadas entre os dias 1° e 13 de abril. A pontuação vai de 0 a 100, denotando otimismo ou confiança a partir de 50.
Na mesma direção, o índice de satisfação com o lucro operacional recuou 3,8 pontos no primeiro trimestre de 2026, de 45,1 pontos para 41,3 pontos, aprofundando o quadro de insatisfação, reflexo da pressão sobre as margens das empresas.
O índice de facilidade de acesso ao crédito caiu 1,3 ponto, de 39 pontos para 37,7 pontos, indicando que o crédito segue muito difícil para as empresas da construção e que essa restrição se intensificou, tornando-se um fator adicional de limitação para a atividade.
O índice de evolução do preço médio de insumos e matérias-primas apresentou aumento de 6,8 pontos no primeiro trimestre, de 61,6 pontos para 68,4 pontos, revelando uma percepção de elevação mais intensa e disseminada dos custos.
Atividade e emprego
O nível de atividade da indústria da construção apresentou a segunda alta consecutiva e ficou em 46,3 pontos em março de 2026. Apesar dos avanços, o índice é o menor registrado no mês desde 2021, quando ficou em 44,9 pontos.
O índice de evolução do número de empregados na construção, por sua vez, recuou para 46,2 pontos em março de 2026, após uma queda de 0,8 ponto na comparação com fevereiro de 2026.
Falta de confiança persiste
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) da construção ficou em 46,4 pontos em abril, após ficar praticamente estável frente a março (-0,1 ponto). Essa estabilidade ocorre após queda de 2,1 pontos no mês anterior.
Em abril, o índice de condições atuais, um dos componentes do Icei, caiu 0,7 ponto, para 41,6 pontos, mostrando que a avaliação das condições correntes como um todo ficou mais negativa. Essa queda se deve à piora da avaliação das condições correntes da economia: este indicador caiu 2,3 pontos, para 34 pontos.
Já o índice de expectativas, outro componente do Icei, variou 0,1 ponto, para 48,8 pontos: enquanto o índice de expectativas sobre o desempenho da empresa variou 0,2 ponto, as expectativas sobre a economia mantiveram-se inalteradas.
Expectativas mistas
O índice de expectativas do número de empregados caiu 0,7 ponto, passando para 48,8 pontos, na passagem de março para abril. O índice de expectativa de novos empreendimentos e serviços declinou para 49 pontos. Em ambos os casos, a expectativa de queda para os próximos meses se tornou mais intensa e mais disseminada.
Já o índice de expectativa de nível de atividade registrou alta de 0,6 ponto, passando de 51,3 pontos para 51,9 pontos, sinalizando expectativa de crescimento da atividade nos seis meses seguintes.
O índice de expectativa de compras de matérias primas apresentou alta de 1,2 ponto, passando de 50,3 pontos para 51,5 ponto, indicando expectativa de intensificação das compras de insumos, em linha com a perspectiva de avanço da atividade.
Intenção de investir sobe
O índice de intenção de investimentos registrou alta de 1,3 ponto, de 42,1 pontos para 43,4 pontos, revertendo apenas parcialmente a queda acumulada nos dois meses anteriores, de 2,5 pontos.
Maiores entraves
Em resposta de múltiplas escolhas sobre os principais problemas enfrentados pela construção, a assinalação de taxas de juros elevadas subiu 2,8 pontos percentuais (p.p.) no primeiro trimestre, com 34,9% das assinalações.
Já a assinalação de elevada carga tributária caiu 3,3 p.p., com 33,9% das assinalações.
A falta de mão de obra não qualificada caiu 0,2 p.p., para 28,3% dos respondentes.
A falta ou alto custo de mão de obra qualificada caiu 1,8 p.p., para 26,7%.
Utilização da Capacidade Operacional
Em março, a Utilização da Capacidade Operacional (UCO) da indústria da construção aumentou em 1 ponto percentual (p.p.), para 66%.
Fonte: Sinduscon-SP — Por Rafael Marko — 28/04/2026