Confiança da Construção cai em 2025

Percepções sobre situação atual e expectativas pioraram

O Índice de Confiança da Construção caiu 1,2 ponto em dezembro, para 91,4 pontos, menor nível desde maio de 2021 (87,4 pontos). Na média móvel trimestral, o índice cedeu 0,3 ponto.

Os dados são da Sondagem da Construção do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), com base em informações de 731 empresas, coletadas entre os dias 1° e 19 de dezembro. A pontuação vai de 0 a 200, denotando otimismo ou confiança a partir de 100.

De acordo com Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre, a melhora da confiança do setor observada em novembro não se sustentou.

“Ao longo de todo o ano, o setor não conseguiu engatar duas melhoras consecutivas da confiança setorial. Assim, o indicador alcançou em dezembro o pior patamar desde 2021. Isso revela que, a despeito da alta dos investimentos estimados para a infraestrutura e do elevado volume de contratações feitas pelo Programa Minha Casa Minha Vida, as dificuldades de encontrar trabalhadores e o aumento dos custos afetaram sobremaneira o ambiente de negócios das empresas”, afirma a economista.

Ana Castelo assinala que, em dezembro, Índice de Expectativas teve piora, mas o percentual que aponta alta da demanda nos próximos meses se mantém acima do percentual de queda, “o que significa que, para 2026, a percepção dominante é de continuidade desse ambiente de mercado de trabalho pressionado”.

Percepções em queda

O resultado do ICST de dezembro foi influenciado por seus dois componentes, o Índice de Situação Atual (ISA-CST) e o Índice de Expectativas (IE-CST). O ISA-CST recuou 1,3 ponto, para 91,2 pontos, menor nível desde julho de 2021 (89,3 pontos), e o IE-CST diminuiu 1,2 ponto, atingindo 91,8 pontos.

Os dois componentes do ISA-CST caíram: o indicador de situação atual dos negócios retraiu 1,8 ponto, chegando aos 91,1 pontos, e indicador de volume de carteira de contratos teve queda de 0,7 ponto, para 91,4 pontos.

Pelos componentes do IE-CST, o indicador de demanda prevista nos próximos três meses cedeu 1,9 ponto, alcançando 92,6 pontos, e o indicador de tendência dos negócios nos próximos seis meses diminuiu 0,4 ponto, para 91 pontos.

Maiores obstáculos

As limitações de crescimento das empresas em 2025 permaneceram basicamente as mesmas apontadas em 2024. O Indicador de Evolução Recente da Atividade demonstra que houve uma diminuição no ritmo de produção ao longo do ano, mas que não arrefeceu os problemas com a mão de obra.

“Na comparação com 2019, é possível ver a diferença de cenários: a demanda insuficiente deixou de ser a principal dificuldade apontada pelas construtoras, e foi substituída pela falta de trabalhadores e pelo aumento dos custos”, comenta Ana Castelo.

Utilização da capacidade

O Nuci (Nível de Utilização da Capacidade Instalada) da Construção registrou avançou de 0,9 ponto percentual (p.p.), atingindo 78,5%.

Os Nucis de Mão de Obra e de Máquinas e Equipamentos também aumentaram 0,9 e 0,6 p.p., para 79,8% e 73,6%, respectivamente.

 

Fonte: Sinduscon-SP – Por Rafael Marko – 07/01/2026

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