Construção civil e serviços mostram desaceleração mais forte de vagas criadas, diz FGV Ibre

Embora ainda positiva, a geração de vagas com carteira assinada em junho mostra que há forte desaceleração em curso nos setores de construção civil e serviços, ressalta a pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) Janaína Feijó.

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), houve abertura líquida de 166.621 vagas com carteira assinada em junho. O resultado veio abaixo da mediana das estimativas coletadas pelo Valor Data, de 175 mil, e dentro do intervalo, que variava de 144 mil a 210 mil.

Na comparação com o mesmo mês de 2024, no entanto, houve queda de 19,2% na geração de vagas. Construção civil abriu 49,8% menos postos de trabalho com carteira no período, enquanto o setor de serviços gerou 38% menos vagas.

“Mesmo no acumulado do ano, a construção criou 12% menos vagas e serviços, 10,7%”, ressalta Janaína. Ela também chama atenção para o fato de que, na divulgação de maio, apenas serviços apontava desaceleração na geração de vagas. Em junho, esse quadro foi generalizado.

A pesquisadora ressalta que o cenário para 2025 segue melhor, hoje, do que no início do ano, quando se imaginava que o mercado de trabalho iria virar mais rápido. “Atualmente, a nossa expectativa é que tenhamos resultados positivos ainda no terceiro e quarto trimestres, a depender da política fiscal”, diz.

“O tarifaço dos Estados Unidos poderia atrapalhar, mas a notícia de que ficou restrito a poucos setores sinaliza que o efeito vai ser menor e mais concentrado em algumas atividades específicas.”

Fonte: Valor Econômico – Por Marcelo Osakabe, Valor — São Paulo, 04/08/2025

plugins premium WordPress