Construção em 2023 teve disparada em número de trabalhadores, mas sem aumento de salário médio, diz IBGE

O número de trabalhadores na indústria da construção atingiu 2,5 milhões em 2023. Além de ser 6,7% acima do resultado de 2022, é o maior volume de pessoas empregadas no setor no país desde 2014 (2,9 milhões). A informação consta da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC) 2023, divulgada nesta quinta-feira (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No entanto, o aumento percebido no contingente de pessoas trabalhando no setor não foi seguido pelo patamar médio de salário. Esse ficou em 2,1 salários mínimos em 2023, abaixo de 2022 (2,2 salários-mínimos) e o menor da série histórica iniciada em 2007.

Ao falar sobre ritmo de pessoal ocupado do setor, Marcelo Miranda, pesquisador do IBGE, ponderou que, diferente do que ocorreu com outros segmentos no pós-pandemia, o emprego na construção não diminuiu. Pelo contrário.

“O número de trabalhadores na construção vem crescendo desde a pandemia [iniciada em 2020]”, notou Miranda.

O técnico detalhou que, entre 2019 e 2023, o número de pessoas ocupadas no setor aumentou em 559,5 mil pessoas, o que representou expansão de 29,4%, nesse período comparativo.

Somente serviços especializados para construção atingiu em 2023 o maior contingente da série histórica da PAIC, com 809,8 mil pessoas ocupadas, naquele ano, nessa atividade dentro da indústria da construção, acrescentou Miranda.

De 2022 para 2023, os aumentos mais expressivos em número de trabalhadores dentro da indústria da construção foram observados em construção de edifícios (7,6%); obras de infraestrutura (6,4%) e serviços especializados para construção (5,8%). Na comparação com o pessoal ocupado em cada um desses segmentos, em 2019, o IBGE apurou aumentos, em 2023, de 39,5%; de 28,6%; e de 20%, informaram também os pesquisadores do instituto.

No entanto, a trajetória crescente observada no número de empregados, na indústria da construção, não foi acompanhado por aumento de ritmo salarial, atestam os números do IBGE.

Miranda admitiu que, a partir de 2014, foi percebida diminuição de salários médios pagos, no setor.

Um dos aspectos que podem ter contribuído, para esse cenário, é a ausência de aumento no salário médio no segmento “obras de infraestrutura”, adiantou ele. Essa área permaneceu com média salarial de 2,6 salários mínimos, entre 2022 e 2023, o menor desde 2020 (2,5 salários-mínimos).

“Obras de infraestrutura pagam os maiores salários”, disse, explicando que o menor ritmo de salários nesse segmento pode ter contribuído para a ausência de aumentos no patamar de salário médio da indústria da construção.

Fonte: Valor Econômico – Por Alessandra Saraiva, Valor — Rio, 22/05/2025

plugins premium WordPress