Pressões inflacionárias desafiam política monetária
A alta de 0,67% do IPCA de abril, mesmo com desaceleração em relação ao 0,88% registrado em março, fez o índice acumulado em 12 meses avançou de 4,14% para 4,39%, aproximando-se perigosamente do teto da meta do Banco Central de 4,5%. Para a condução da política monetária, esse quadro é particularmente delicado, comenta o ConstruCarta.
A publicação aponta que, na ata da última reunião do Copom, a preocupação com a alta dos preços chegou, pela primeira vez, ao horizonte de 2028, refletindo os riscos fiscais e a percepção do mercado sobre o cenário político de médio prazo. A economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro IBRE/FGV, avalia que, enquanto o choque alimentar tende a se dissipar ao longo do próximo ano, a deterioração das expectativas para 2027 e 2028 tem natureza mais estrutural, associada ao ambiente fiscal. Nesse contexto, o espaço para que o Copom aprofunde o ciclo de cortes da Selic é cada vez mais estreito.
Segundo o ConstruCarta, o IPCA de abril confirma um quadro em que a desaceleração mensal convive com pressões de difícil reversão no curto prazo. Alimentação, serviços e o ambiente externo seguem como fontes de pressão, enquanto o câmbio favorável oferece apenas alívio parcial e temporário. A margem de manobra do Banco Central é limitada, e o cumprimento da meta de inflação de 2026 permanece dependente de fatores que, em boa medida, escapam ao controle da política monetária doméstica, caracterizando o chamado “choque de custos”. Ler com atenção as próximas atas do Copom será, mais do que nunca, de grande relevância para a formação de expectativas.
Leia o ConstruCarta
Fonte: Sinduscon-SP — Por Rafael Marko — 14/05/2026