Intenção de gastar com imóvel e material de construção cresce mais que outras despesas

Entre as 22 categorias da economia pesquisadas pelo indicador de potencial de consumo da IPC-Maps, o de aquisição de imóveis e material de construção tem a maior previsão de crescimento para o ano.

O indicador projeta um aumento de 12,5% no potencial desses gastos, em relação a 2024. Os valores devem atingir R$ 417 bilhões.

Outros segmentos analisados pela empresa ficam com alta de 10% a 11% neste ano.

Para Marcos Pazzini, diretor da IPC, o que explica o momento mais favorável do segmento de construção é a situação do emprego, que gera um “círculo virtuoso”. A construção civil é grande geradora de novas vagas de trabalho com carteira assinada. “Quando o trabalhador está com carteira assinada, com garantia de dinheiro no final do mês, tem mais segurança para fazer dívida de longo prazo, para comprar material ou adquirir imóvel”, afirma. “Vai se auto alimentando”.

Isso também ajuda a explicar, diz Pazzini, o motivo da queda de 1,7% no número de microempreendedores individuais (MEIs) no setor da construção. Um recuo no número de MEIs é pouco usual no geral da economia brasileira, e ainda mais em um setor que terá crescimento de 2,2% no número total de negócios, neste ano, para 2,2 milhões de empresas.

O diretor considera essa queda positiva para a economia, já que o MEI não costuma gerar outros empregos para além da sua própria ocupação.

Acomodação à vista

A boa disposição dos brasileiros para investir em imóveis tem aparecido nos dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), que abrangem 221 cidades. As vendas de imóveis novos cresceram 9,6% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2024. No recorte apenas do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o aumento foi de 25,8%.

Começa a haver uma acomodação, no entanto, nos lançamentos de projetos, reflexo de uma dificuldade maior do setor produtivo em colocar novos produtos no mercado, com a taxa de juros elevada. “O primeiro trimestre foi muito forte, mas sentimos que o mercado vai dando uma ‘afofada’, existe uma tendência de acomodação”, afirmou o economista Celso Petrucci em coletiva de imprensa da entidade, na semana passada.

A oferta final de unidades novas caiu 4,1% no semestre. Petrucci alertou que o preço das unidades tem subido acima da inflação do setor, o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC), e que a dinâmica de redução de oferta tende a acentuar isso.

Para a Cbic, é hora de pensar em rever as faixas de renda e o teto de preço dos imóveis do MCMV, para que ele não perca fôlego nos próximos meses. A última grande atualização foi em 2023, embora ajustes tenham sido realizados neste ano, como a criação da faixa 4 e a expansão da renda máxima da faixa 3, de R$ 8 mil para R$ 8,6 mil. “Seria interessante analisar novos parâmetros, fazer uma revisão de dois em dois anos”, disse Renato Correia, presidente da Cbic.

A faixa 4, criada para abranger parte da classe média, mais pressionada pelos juros altos, ainda não está no ritmo esperado de contratações, segundo Clausens Duarte, vice-presidente de habitação de interesse social da Cbic.

Em dois meses de operação, foram pouco menos de 10 mil unidades compradas, metade do ritmo esperado. Para os representantes das entidades, no entanto, é uma questão de tempo. “Esse produto foi uma surpresa positiva, mas como o setor não esperava, estava com oferta reduzida”, disse Duarte.

Fonte: Valor Econômico – Por Ana Luiza Tieghi, Valor — São Paulo, 27/08/2025

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