Lucro da Votorantim Cimentos cai 5% no 3º trimestre, para R$ 967 milhões

A Votorantim Cimentos apresentou no terceiro trimestre um lucro líquido de R$ 967 milhões, queda de 5% sobre o resultado do mesmo período de 2024. No material que acompanha o balanço, divulgado há pouco, a empresa detalha que ao se desconsiderar o lucro vindo de operações que foram vendidas ao longo dos últimos 12 meses — Tunísia e Marrocos — há um aumento de 3% no indicador.

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O volume de cimento vendido no trimestre cresceu 6% na comparação anual, para 10,6 milhões de toneladas.

A receita líquida da fabricante atingiu R$ 8,7 bilhões, crescimento de 15%.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 2,4 bilhões, um aumento de 10% sobre o terceiro trimestre de 2024. A margem do Ebitda ajustado ficou em 28%, queda de 1 ponto percentual.

No material que acompanha a divulgação dos resultados, a empresa destaca que o aumento do Ebitda se deve ao crescimento da receita e à melhora de preços, embora “mitigado pelo aumento de custos variáveis e fixos”. Para o CEO global da empresa, Oswaldo Ayres Filho, foi possível repassar parcialmente, “em quase todas as geografias em que operamos”, a inflação de custos do setor. Ele classifica o trimestre como “bastante sólido”.

A dívida líquida da Votorantim Cimentos atingiu R$ 12,1 bilhões, alta de 15% em um ano. Já a alavancagem, medida pela dívida líquida sobre o Ebitda ajustado, ficou em 1,78 vez, similar aos 1,76 vez do ano anterior.

Na quarta-feira (12), a empresa comunicou ao mercado a emissão de R$ 1 bilhão em debêntures, para alongar e reduzir o custo de sua dívida. António Pelicano, diretor-financeiro global da companhia, adianta que é esperada uma alavancagem mais baixa para o quarto trimestre.

Os investimentos (capex) da companhia cresceram 31% na comparação anual, para R$ 831 milhões. Do plano de investimentos de R$ 5 bilhões para o Brasil, anunciado em 2024, quase metade — R$ 2,4 bilhões — já está em andamento, reforça Ayres Filho.

Desempenho por região

Na operação brasileira, da Votorantim Cimentos obteve receita líquida de R$ 4,06 bilhões, um aumento de 16%, “impulsionado principalmente por maiores volumes e preços”. O Ebitda ajustado subiu 9% no período, para R$ 927 milhões, devido ao “aumento de receita líquida e ao crescimento de novos negócios”, o que foi parcialmente mitigado por alta nos custos.

Ayres Filho afirma que, para 2026, a expectativa do setor de cimento é de um crescimento próximo de 2% ao ano, em todo o mercado, de acordo com dados preliminares do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic). Contribui para isso anúncios recentes feitos pelo governo, como atualizações no Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e o programa Reforma Casa Brasil. “Caso contrário, com esse nível de juros, teríamos números inferiores”, afirma o executivo.

Na América do Norte, a receita atingiu R$ 2,8 bilhões, alta de 8% na comparação anual, ou de 10% sem os efeitos de variação do câmbio. Ali, os preços e volumes maiores também impulsionaram os resultados. A associação de produtores de cimento local aprofundou sua previsão de queda no consumo de cimento para 2025, de 3,9% para 4,2%. O Ebitda ajustado cresceu 1%, ou 3% sem a variação cambial, para R$ 930 milhões.

Na Europa e na Ásia a receita cresceu 17%, ou 12% sem variação cambial, para R$ 1,25 bilhão. O Ebitda ajustado saltou 35% em um ano, ou 29% sem a variação do câmbio, para R$ 447 milhões.

Na divisão da América Latina, a receita foi de R$ 334 milhões, crescimento de 37%, ou de 39% sem variação cambial. O Ebitda ajustado somou R$ 81 milhões, avanço de 30% sobre o terceiro trimestre de 2024, ou de 33% ao se desconsiderar a variação cambial.

Acumulado no ano

De janeiro a setembro, o lucro líquido da Votorantim Cimentos cresceu 58%, para R$ 2,4 bilhões. O volume de cimento vendido subiu 3% nesse intervalo, para 27,6 milhões de toneladas, o que levou a um aumento de 11% na receita líquida, para R$ 21,7 bilhões.

Fonte: Valor Econômico – Por Ana Luiza Tieghi , Valor — São Paulo, 13/11/2025