Maior depreciação de ativos leva Votorantim Cimentos a prejuízo de R$ 325 milhões no 1º trimestre

Votorantim Cimentos apresentou prejuízo líquido de R$ 325 milhões no primeiro trimestre, revertendo lucro de R$ 17 milhões no mesmo período de 2024, de acordo com balanço divulgado nesta terça-feira (13).

Maior produtora de cimento do país, também com forte presença internacional, a companhia teve impacto de depreciação no período, com despesa de R$ 742 milhões, 64% maior do que um ano antes. De acordo com o material que acompanha os resultados, isso vem do “aumento da base de ativos” da Votorantim Cimentos, da variação cambial e da “revisão da vida útil de seus ativos imobilizados”.

O resultado financeiro da empresa foi uma despesa de R$ 280 milhões, ainda menor do que os R$ 351 milhões do início de 2024.

A receita líquida, por sua vez, cresceu 8% em um ano, para R$ 5,6 bilhões. Ao desconsiderar o efeito de variação cambial, o aumento é de 1%. Houve efeito positivo da demanda no Brasil e na Espanha. Antonio Pelicano, diretor-financeiro global da empresa, lembra que 51% do resultado da Votorantim Cimentos não vem em Real.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi de R$ 598 milhões, queda de 11%, ou de 14% ao se desconsiderar o câmbio. A margem do Ebitda ajustado recuou 2 pontos percentuais em um ano, para 11%.

De acordo com a empresa, houve impactos climáticos devido ao inverno mais rigoroso na América do Norte e na Turquia e a chuvas volumosas na Espanha, além de manutenção das plantas.

De janeiro a março, a empresa comercializou 7,7 milhões de toneladas de cimento, avanço de 2%.

Na operação brasileira, da receita líquida subiu 5%, para R$ 3,15 bilhões, e o Ebitda recuou 17%, para R$ 427 milhões. Segundo Ayres Filho, por aqui a companhia está realizando um reajuste no preço do cimento, que, de acordo com ele, teve queda real e nominal no preço no primeiro trimestre. A empresa entende que a margem do produto ainda pode ser maior no país, descontada a inflação.

Na América do Norte, a receita avançou 8%, para R$ 1,2 bilhão, com Ebitda negativo em R$ 136 milhões, uma piora ante os R$ 18 milhões de despesa do primeiro trimestre de 2024.

Na Europa, África e Ásia, a receita avançou 17%, para R$ 869 milhões, e o Ebitda subiu 51%, para R$ 235 milhões. Na América Latina, a receita cresceu 20%, para R$ 234 milhões, e o Ebitda avançou 30%, para R$ 39 milhões.

A despesa da Votorantim Cimentos com investimentos atingiu R$ 548 milhões no trimestre, alta de 35% em um ano.

A alavancagem da companhia, medida pela dívida líquida sobre o Ebitda ajustado, ficou em 1,95 vez, aumento de 0,09 vez. A empresa divulgou, em maio, que emitiu R$ 1 bilhão em debêntures para gestão de passivos, para alongar o prazo da dívida e reduzir seu custo.

Estados Unidos e tarifas

Outro evento subsequente foi a compra de uma empresa de agregados e concreto pré-misturado, no estado de Illinois, anunciada em abril. Com produção no país e no Canadá, a empresa não foi afetada pelas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump — até o momento, reforça o CEO global Osvaldo Ayres Filho. O país mantém um tratado que isenta a importação de cimento do Canadá e do México de tarifas, e que continua valendo. Como lembra Pelicano, os Estados Unidos não são autossuficientes em cimento e precisam das importações.

A preocupação, no entanto, permanece, tanto porque a política de isenção pode mudar, quanto porque podem haver efeitos mais sistêmicos na economia americana. “No mundo, tem preocupação com inflação, com taxa de juros maiores, que são inibidores de crescimento”, afirma Ayres Filho. A associação americana de produtores de cimento recuou em sua perspectiva de volume vendido no ano, de um crescimento de 1% para queda de 1%.

“Temos plano de contingência preparado, caso sejamos impactos pelas tarifas, mas mantemos uma posição empreendedora”, afirma o CEO, em referência à nova aquisição nos Estados Unidos.

Fonte: Valor Econômico – Por Ana Luiza Tieghi, Valor — São Paulo, 13/05/2025

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