Opinião: PIB da construção e o que esperar de 2026

Segundo estudo produzido pelo SindusCon-SP em parceria com o FGV Ibre, a projeção para 2026 indica que o PIB da construção deve crescer 2,7%

Encerramos mais um ano e, como é tradição, este é o momento de olhar para trás, avaliar nossa trajetória e projetar os desafios que virão. A construção civil, setor que carrega forte influência sobre o ritmo da economia, chega ao fim de 2025 em um cenário de desaceleração, mas ainda com avanços relevantes.

Segundo estudo produzido pelo SindusCon-SP em parceria com o FGV Ibre, a projeção para 2026 indica que o PIB da construção deve crescer 2,7% em um cenário-base. É um número que reflete cautela. Como em outros ciclos, muito dependerá das variáveis externas como eleições, ambiente geopolítico, e do desempenho interno, ainda marcado por juros elevados, questões fiscais e menor dinamismo econômico. Esses fatores podem limitar investimentos e afetar a geração de empregos.

Por outro lado, há sinais que nos permitem olhar o próximo ano com otimismo moderado. A queda gradual dos juros, o aumento dos investimentos estaduais em obras, o novo modelo de financiamento habitacional, o reforço do Minha Casa, Minha Vida e a ampliação dos programas de infraestrutura formam um conjunto que tende a impulsionar a atividade. Somam-se a isso iniciativas como o Programa Reforma Casa Brasil, que ampliam a demanda e estimulam a cadeia da construção.

O balanço de 2025 mostra um setor que perdeu ritmo, mas não parou. O PIB da construção deve encerrar o ano com crescimento de 1,8%. Entre os indicadores de atividade, o consumo de cimento cresceu 3,6% até outubro, enquanto indústria e comércio de materiais registraram quedas discretas. É um retrato claro de que a atividade avançou, porém abaixo do seu potencial.

No mercado de trabalho, mantivemos saldo positivo. O emprego com carteira cresceu 2,84% em 12 meses, chegando a mais de 3 milhões de trabalhadores no país, sendo 365 mil apenas no estado de São Paulo. Porém, seguimos enfrentando dois entraves conhecidos: escassez de mão de obra qualificada e demanda insuficiente em alguns segmentos.

Outro ponto de atenção é o custo. O INCC-M acumulou alta de 6,41% em 12 meses até novembro, pressionado principalmente pelo encarecimento da mão de obra. Ainda assim, o mercado imobiliário mostrou dinamismo, sustentado pelo forte desempenho do Minha Casa, Minha Vida. Na capital paulista, os lançamentos cresceram 41% e as vendas aumentaram 10% no período de 12 meses.

Já o crédito habitacional para a classe média sofreu retração significativa. As contratações do SBPE caíram quase 49% na modalidade construção e 7,4% na modalidade aquisição. O total do ano registra queda de 21,4%, o que reforça a urgência de condições mais equilibradas de financiamento.

Para 2026, o segmento de infraestrutura tem perspectiva promissora. A ABDIB projeta investimentos recordes de 300 bilhões de reais. É um movimento capaz de irradiar efeitos positivos para toda a economia, apesar de a confiança empresarial ainda se manter moderadamente pessimista.

Seguiremos atentos, atuantes e confiantes de que a construção continuará contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento do país. O setor tem força, resiliência e capacidade de responder rapidamente quando o ambiente se torna favorável. É isso que esperamos ver ganhar ritmo ao longo do próximo ano.

Rafael Luis Coelho Diretor regional do SindusCon-SP de SJRP

Fonte: Sinduscon-SP – Por Rafael Montagnini16/12/2025

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