Setor da construção enxerga resultados positivos da NIB, mas espera consolidação da política industrial

A implementação da Nova Indústria Brasil (NIB), iniciativa do governo federal destinada a estimular a reindustrialização, acelerar a inovação e aumentar a competitividade da indústria brasileira, está gerando resultados positivos na percepção de empresários da construção, mas ainda requer o amadurecimento de seus instrumentos para fomentar um ciclo de desenvolvimento sustentado no país. Incluir o setor como prioridade na política industrial foi um acerto na percepção de lideranças empresariais, mas a consolidação da NIB envolve passos novos na articulação de recursos e uma agenda estratégica aderente às necessidades do país em que a construção seja protagonista.

Esse tema foi discutido na mesa redonda Diálogo Público-Privado – A Nova Indústria Brasil e a Construção: Avanços, Investimentos e Gargalos realizado no primeiro dia do Rio Construção Summit 2025, evento realizado pelo Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio), com apresentação da Federação da Indústria do Rio de Janeiro (Firjan) e parceria estratégica da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O evento acontece até 26 de setembro no Armazém 3 do Píer Mauá, zona portuária da capital fluminense.

“A NIB tem um horizonte de dez anos e tudo tem ajuste. É importante amadurecer as ferramentas”, afirmou Renato Correia, presidente da CBIC e moderador do debate que contou com as participações de Humberto Rangel, diretor executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada  (SINICON); Paulo Camillo Penna, presidente executivo da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP); Venilton Tadini, presidente executivo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) e Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Para costurar o debate, Correia lembrou que a Missão 3 da NIB, focada em infraestrutura, moradia e mobilidade sustentável, prevê investimentos da ordem de R$ 1,6 trilhão, colocando a construção no centro de uma agenda de transformação produtiva. O presidente da CBIC também destacou a importância do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), peça-chave na oferta das linhas de fomento e financiamento necessárias à industrialização.

Os dirigentes concordaram que a NIB já oferece resultados, pelo aumento do volume de investimentos e introdução de mecanismos de estímulo novos e promissores. “O Brasil não crescia acima de 3% há muitos anos. A indústria dependo do mercado interno para performar e a retomada do investimento já traz impacto para a construção”, avaliou Uallace Moreira. Para o secretário, a indústria da construção deve alcançar mais protagonismo nessa iniciativa e o desafio é fortalecer s instrumentos de política pública, de forma que a NIB fomente a industrialização do setor.

Falta articulação – Presidente da ABDIB, Venilton Tadini apontou assimetria nas ações setoriais. “Falta sinergia, a estratégia de desenvolvimento tem de estar articulada”, afirmou. Segundo ele, o BNDES retomou seu papel como banco de fomento, introduzindo fontes alternativas de financiamento que poderão gerar investimentos da ordem de R$ 150 bilhões em 2025, mas cabe discutir a aplicação de recursos de emendas parlamentares.

“É preciso melhorar as prioridades no orçamento, as emendas parlamentares são um escárnio. O governo é que deveria definir as prioridades”, pontuou. Tadini destacou que o Brasil vai investir R$ 20 bilhões em rodovias enquanto a destinação de emendas parlamentares deve chegar a R$ 58 bilhões. “Na infraestrutura é preciso materializar uma visão de longo prazo”.

Em sua participação, o diretor executivo do SINICON destacou que estimular a exportação de serviços é importante para o setor da construção. “Precisamos enfrentar os preconceitos”, afirmou Humberto Rangel. Segundo ele, é preciso fazer “uma cobrança mais efetiva” junto ao Congresso Nacional e ao governo federal para colocar em discussão uma agenda estratégica para o país. “Precisamos de uma agenda mais relevante e que interesse ao Brasil. Todo mundo quer uma país mais justo e desenvolvido”.

A consolidação da NIB deve dialogar com a pauta de transição climática em curso, avaliou o presidente da ABCP. Para Paulo Camilo Penna, os paradigmas do plano clima deve ser alinhados à estratégia de avanço na infraestrutura. “A taxonomia será essencial para termos competitividade do Brasil no exterior”, sublinhou. “As missões 3 e 5 são fundamentais”. O executivo fez um breve panorama de inciativas da indústria e cimento para gerar inovação e destacou a importância do projeto Se Essa Rua Fosse Minha, iniciativa da CBIC concretizada em parceria técnica com o Ministério das Cidades.

“É uma ação importante e nós estamos trabalhando em uma solução nova de pavimento urbano. Estamos implementando em diversas cidades”, sinalizou. Penna comentou, ainda, soluções em alvenaria estrutural de concreto aplicadas ao programa Minha Casa, Minha Vida. O executivo defendeu a adoção de ações pra reduzir a burocracia e alinhar a aplicação da legislação nos Estados e municípios.

O Rio Construção Summit 2025 também conta com o apoio do Sinicon, CNI e FIIC; patrocínio master da Prefeitura do Rio/Invest.Rio e do Governo do Estado do Rio de Janeiro; patrocínio do Sebrae, Confea e CREA-RJ; Caixa como banco oficial; Águas do Rio como parceiro; e apoio do CAU-RJ, Light e PMI.

 

 

Fonte: AGÊNCIA CBIC – 24/09/2025

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