O vice-presidente de Governo da Caixa Econômica Federal, Marcos de Carvalho Araújo, disse nesta terça-feira (29) que o banco estuda atuar na estruturação de projetos de infraestrutura.
“Hoje, a gente presta assistência técnica, que é o Caixa Políticas Públicas, e estamos fazendo estudos para a gente poder também elaborar os projetos, os anteprojetos, os projetos executivos. Inclusive, a gente precisa ver as questões legais, jurídicas, para não haver nenhum tipo de impacto ao ‘chinese wall’ [segregação interna das atividades do banco]. Mas é um dos nossos interesses para os próximos meses”, disse Araújo no Veja Fórum Saneamento, na capital paulista.
O Caixa Políticas Públicas presta serviços de análise, acompanhamento, assessoria e consultoria em políticas públicas relacionados a atividades como engenharia e arquitetura e destina-se a entes públicos.
Procurada pela Folha, a assessoria da Caixa disse que a proposta avaliada pelo banco prevê uma atuação complementar à do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Hoje, a Caixa tem atuações paralelas, como concessão de crédito e PPP (parceria público-privada). De acordo com o banco, não haveria choque com a operação do BNDES.
No evento, o presidente da Sabesp, Carlos Piani, disse que o saneamento “anda mais devagar” do que outros setores de infraestrutura porque a regulação é mais complexa e depende dos municípios.
“Se a regulação fosse federal, acho que a gente mais do que dobrava os investimentos no setor”, disse.
A vice-presidente de Assuntos Corporativos e Regulatórios da BRK, Daniela Sandoval, diz que as companhias privadas de saneamento não perderam o apetite por novos projetos.
Segundo ela, apesar de os principais leilões do setor já terem sido concluídos, o Brasil ainda terá de passar por mais certames para contemplar municípios que não são abrangidos pelas concessões.
“No passado, a gente tinha 6% dos municípios concedidos para a iniciativa privada. Agora são quase 50%. Claro, boa parte dos projetos já foram, mas metade deles ainda está para ser [leiloado]. Tem muita coisa ainda por vir”, disse Sandoval à Folha durante o fórum.
O setor de saneamento tem passado por um 2026 morno, depois de ter levado a mercado uma série de leilões nos últimos anos, como a privatização da Sabesp, em São Paulo. Por exemplo, o leilão de saneamento de Rondônia estava marcado para esta terça, na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, mas teve de ser cancelado porque não recebeu propostas.
O setor de saneamento prevê a realização de ao menos 31 leilões nos próximos meses e anos, com estimativa de R$ 66,3 bilhões em investimentos, segundo levantamento da Abcon (Associação Brasileira das Empresas de Saneamento) feito a pedido da Folha. Os certames abrangem 631 municípios de estados como São Paulo, Goiás e Ceará.
O montante a ser investido é alto, mas está aquém do valor já contratado. Isso porque a maior parte das empresas e blocos regionais oferecidos ao mercado já foram arrematados em 70 leilões realizados por governos estaduais e municípios desde 2020, depois da instituição do Marco Legal de Saneamento, de acordo com a entidade.
Fonte: Folha de S.Paulo — Por Paulo Ricardo Martins — 29/09/2026