Expectativas para os próximos meses pioram
O Índice de Confiança da Construção (ICST) caiu 1,4 ponto em setembro, para 90,5 pontos. Em médias móveis trimestrais, o índice recuou 0,4 ponto, para 91,6 pontos.
Os dados são da Sondagem da Construção do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), com informações colhidas junto às empresas entre 1 e 22 de setembro. A pontuação vai de 0 a 200, denotando otimismo ou confiança a partir de 100.
De acordo com Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre, o cenário captado na pesquisa de setembro é de cautela e pessimismo moderado. “Vale destacar que o indicador de expectativas recuou em todos os segmentos, sinalizando que as empresas da construção estão mais cautelosas em relação à demanda futura, o que se refletiu também em projeções menos otimistas para a expansão do emprego”, observa.
De acordo com a economista, o resultado de setembro reforça a trajetória de queda na confiança setorial observada nos últimos meses e deixa o ICST 2 pontos abaixo do nível registrado em setembro de 2025. “Entre os segmentos, Obras de Infraestrutura apresentou a maior retração mensal, puxada pela piora acentuada das expectativas, o que pode estar relacionado ao fim do ciclo de obras eleitorais”, analisa Ana Castelo.
Quedas
O recuo do Índice de Confiança da Construção (ICST) em setembro foi influenciado tanto pelo Índice de Situação Atual (ISA-CST) quanto pelo Índice de Expectativas (IE-CST), que compõem aquele indicador.
O ISA-CST caiu 1 ponto, para 90,7 pontos, enquanto o IE-CST recuou 1,6 ponto, para 90,5 pontos. No detalhamento dos componentes do ISA, a Situação Atual dos Negócios registrou 89,3 pontos, com um diferencial de negócios comparado ao mês anterior de -1,3 ponto. A Carteira de Contratos alcançou 92,2 pontos, marcando o menor patamar desde dezembro de 2025, com um diferencial de -0,8 ponto em relação ao mês anterior.
Entre os componentes do IE-CST, a Demanda Prevista registrou 90,1 pontos, alcançando o menor patamar desde maio de 2021, com um recuo de 3,8 pontos em relação ao mês anterior. Já a Tendência dos Negócios subiu para 90,8 pontos, apresentando um avanço de 0,5 ponto comparado ao último mês.
Falta de trabalhadores qualificados
Junto com o aquecimento dos últimos anos da atividade setorial, veio a dificuldade com a mão de obra. Desde 2024, a escassez de trabalhadores qualificados assumiu a primeira posição no ranking de fatores limitativos à melhoria dos negócios. As expectativas menos otimistas em relação à demanda podem indicar um arrefecimento da pressão futura sobre o mercado de trabalho. Mas na atual conjuntura, a falta de trabalhadores qualificados continua a se destacar entre as limitações ao crescimento dos negócios.
Utilização da capacidade
O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da Construção recuou 0,7 ponto percentual, para 78,1%. Os Nucis de Mão de Obra e de Máquinas e Equipamentos também diminuíram 0,5 e 0,1 p.p., para 79,8% e 72,8%, respectivamente.
Fonte: Sinduscon-SP — Por Rafael Marko — 29/09/2026