Construção com madeira: Industrialização e descarbonização consolidam nova era de valor no setor da construção

Vetores estratégicos do setor da construção, a sustentabilidade e a industrialização pautaram debate importante no Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC) 2026. Reunidos no painel “Construção com Madeira – Inovação que gera valor: menos carbono, mais produtividade”, especialistas nacionais e internacionais debateram a maturidade e a viabilidade dos sistemas de madeira industrializada (Mass Timber) e convergiram no entendimento de que este método construtivo figura como um vetor estratégico de eficiência e competitividade para o mercado imobiliário moderno. Promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o evento acontece até 21 de maio no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Vice-presidente de Sustentabilidade da CBIC e mediador do painel, Nilson Sarti, relembrou os aprendizados da Missão Suécia – imersões técnicas focadas em boas práticas ESG e inovação – e destacou que o setor vive uma quebra de paradigmas induzida pela urgência climática.

“O uso da madeira industrializada e de sistemas leves e pré-fabricados não é uma tendência distante, mas uma realidade que revoluciona o agora”, pontuou Sarti. “Estamos falando de encurtar prazos de execução ao mesmo tempo em que reduzimos drasticamente as emissões de carbono, mitigando os impactos ambientais em todo o ciclo de vida dos empreendimentos.”

O ENIC é uma realização da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Correalização do Sesi e Senai; conta com o Apoio Institucional da EMBRAPII; Patrocínio Oficial da CAIXA e Governo do Brasil, onde tem patrocínio CAIXA, tem Governo do Brasil; Patrocínio Institucional da CNI e IEL e do CAU/BR; Patrocínio Hub de Tecnologia da Schneider Eletric e Steck; Patrocínio Hub de Inovação do Sebrae; Patrocínio Naming room de Tecnologia da ABDI; Patrocínio Ouro da ApexBrasil, Saint-Gobain, Paggo, Brain e Kata; Patrocínio Prata da Agilean, AltoQi, Atlas Schindler, Esaf, Konstroi, Senior, Sienge, Cofer, Confea Crea – SP e da Mútua; Patrocínio Bronze da TOTVS, Zigurat, Exxata, Fastbuilt, Falconi, Sinaenco, Sinicon, além do Patrocínio Visibilidade da Trimble.

O cenário nórdico e o balanço carbono negativo

O panorama internacional foi trazido pelo arquiteto sueco Robert Schmitz, sócio e membro do conselho da White Arkitekter. Ao lembrar que a indústria da construção e o mercado imobiliário respondem por mais de 40% das emissões globais de gases de efeito estufa, Schmitz defendeu uma transição sistêmica baseada na experiência de seu país natal, onde 70% do território é coberto por florestas cultivadas e a madeira industrializada domina o mercado residencial.

Como grande exemplo prático dessa escala, o arquiteto exibiu o renomado case do Sara Kulturhus, um complexo cultural e hoteleiro em formato de arranha-céu estruturado em madeira maciça.

“A análise de ciclo de vida do projeto comprovou uma redução de mais de 200 quilos de emissões por metro quadrado. Conseguimos um balanço de carbono negativo, o que significa que a estrutura captura e estoca mais carbono da atmosfera do que emite ao longo de sua existência”, destacou Schmitz, enfatizando o papel da tecnologia e da modelagem BIM para garantir alta produtividade.

Viabilidade econômica e alto desempenho no mercado brasileiro

Trazendo o cenário para a realidade do mercado nacional, Nicolaos Theodorakis, fundador e CEO da Noah Wood Building, detalhou como os projetos em madeira industrializada avançam de forma consistente nas capitais brasileiras. O executivo explicou que o foco da empresa, desde 2019, tem sido industrializar os canteiros sem engessar a assinatura dos escritórios de arquitetura, provando que o design biofílico anda de mãos dadas com a competitividade comercial.

A Noah apresentou dados operacionais robustos para desmistificar o custo do sistema no país, destacando o modelo de encaixe em gaveta de componentes de madeira acoplados a vigas metálicas lineares aplicados em edifícios corporativos no bairro de Pinheiros, em São Paulo, como na Rua Macunis.

“Alcançamos uma redução média de 35% no tempo total de execução de obra em relação aos métodos tradicionais”, afirmou Theodorakis. “Tudo isso operando hoje, no segmento corporativo, com um custo rigorosamente igual ao das estruturas convencionais de concreto e aço.”

O ciclo infinito e o estoque de carbono urbano

Dando sequência aos aspectos de engenharia e economia circular, Calil Neto, CEO da Rewood, detalhou a velocidade e a precisão técnica das estruturas industriais de madeira. Ele ilustrou o potencial do sistema através do case da Fábrica Dengo, prédio comercial de 1.450 metros quadrados em São Paulo cuja estrutura foi montada em apenas 37 dias com uma equipe de quatro pessoas, além de citar projetos residenciais de alto padrão executados de forma 100% offsite no Rio de Janeiro e na Fazenda Boa Vista.

Para Calil Neto, diante de um déficit habitacional de mais de 6 milhões de famílias no Brasil, o setor precisa construir em larga escala, mas de forma inteligente, desatando a dependência exclusiva de recursos finitos.

“A nossa ideia é desenhar um ciclo infinito baseado no reuso dos materiais”, sublinhou o CEO da Rewood. “A madeira na construção funciona como um estoque urbano de carbono por décadas e, quanto mais construímos com ela, mais estocamos dióxido de carbono. O grande objetivo do setor no país é impulsionar a vontade e a tomada de decisão para fazermos diferente no mercado.”

Inovação e a inclusão dos pequenos negócios na cadeia de valor

O encerramento do painel trouxe um olhar estratégico voltado para a base produtiva e a democratização do sistema. Catharina Macedo, consultora do SEBRAE Nacional e sócia-proprietária da Spirale EcoBuilding Solutions, alertou que, por ser a indústria da construção brasileira formada maioria por micro e pequenas empresas (MPEs), a inovação real só acontecerá quando esses pequenos negócios forem integrados aos ecossistemas do Mass Timber. Como exemplo prático dessa inclusão, apresentou o case da Casa Float, um modelo de arquitetura leve e modular desenhado para tornar o sistema acessível à Classe B.

A consultora reforçou que as estruturas leves de madeira respondem com perfeição ao clima tropical por sua adequação bioclimática, mas exigem que os pequenos construtores dominem a metodologia BIM e estreitem os laços entre escritório e fábrica. “Precisamos criar uma intimidade profunda da arquitetura com o processo industrial”, concluiu Macedo. “O arquiteto e a pequena empresa precisam entender como o componente de madeira é fabricado para desenhar soluções precisas, transformando a sustentabilidade de pauta ambiental para uma estratégia real de produtividade, valor e competitividade de mercado.”

Preservar o meio ambiente é investir em um futuro melhor para as próximas gerações.

O tema tem interface com o projeto “A transição da construção para o modelo industrializado”, da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade (COMAT) da CBIC, com o projeto “Construir com Impacto Positivo – Eficiência Hídrica e Inovação na Construção Civil”, da Comissão de Meio Ambiente (CMA) da CBIC, e com o projeto “Mapeamento de Práticas ESG na Indústria da Construção”, da Comissão de Responsabilidade Social (CRS) da CBIC, todos em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).

 

 

 

Fonte: AGÊNCIA CBIC — 21/05/2026

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