IBGE apura estabilidade de subocupados e queda de desalentados no trimestre encerrado em julho

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apurou estabilidade no volume de subocupados e recuo no número de desalentados, no mercado de trabalho brasileiro, no trimestre móvel encerrado em julho. É o que revelou o instituto ao veicular a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

No estudo, os pesquisadores do IBGE apuraram que a população subocupada por insuficiência de horas ficou em 4,2 milhões no trimestre encerrado em julho. Uma pessoa subocupada é aquela que já tem trabalho, mas cumpre jornada semanal inferior a 40 horas, gostaria de trabalhar mais horas e tem disponibilidade para isso.

Por sua vez, a população subutilizada, grupo de pessoas em idade de trabalhar que não está aproveitando todo potencial de trabalho no mercado, foi 14,9 milhões no trimestre encerrado em julho. Isso representou queda de 5,2% ante trimestre móvel anterior (menos 819 mil pessoas), sendo 7,7% inferior ante mesmo trimestre em 2025 (menos 1,2 milhão de pessoas).

Já a taxa composta de subutilização da força de trabalho, indicador do IBGE que mede o desperdício ou o aproveitamento incompleto do potencial de trabalho da população, ficou em 13% no trimestre encerrado em julho, inferior a trimestre móvel anterior (13,8%). Na comparação com igual trimestre em 2025 (14,1%), o recuo foi de 1,1 ponto percentual (p.p.).

O IBGE informou ainda que a população fora da força de trabalho ficou em 66,4 milhões. Isso representou estabilidade (-0,3%) ante trimestre anterior (menos 170 mil pessoas), sendo 1,1% superior frente ao mesmo trimestre do ano anterior (mais 721 mil pessoas).

Subutilização

A taxa composta de subutilização na força de trabalho caiu oito pontos percentuais, para 13%, entre trimestre encerrado em abril para trimestre até julho. Mas isso, na prática, não indica escassez de mão de obra no mercado de trabalho, informou William Kratochwill, pesquisador do IBGE.

Esse indicador do IBGE mede o desperdício, ou aproveitamento incompleto, do potencial de trabalho da população. O índice é síntese da cadência de três resultados, na Pnad: de desempregados; de subocupados por insuficiência de horas, ou seja, de pessoas que já trabalham, mas menos de 44 horas semanais, e que gostariam e teriam disponibilidade para trabalhar mais horas; e de força de trabalho potencial. Esse último segmento representa pessoas que não procuraram trabalho, mas gostariam de trabalhar e estavam disponíveis para isso. O que inclui os desalentados, que desistiram de procurar por acharem que não iam achar vaga.

Assim, na prática, quando esse indicador aumenta representa maior ritmo de oferta de força de trabalho no país. E, quando ele diminui, normalmente indica menor “folga” de pessoas disponíveis para trabalhar.

“A ‘folga’ [no mercado de trabalho] sempre existiu. Agora ela está começando a se reduzir”, disse o pesquisador.

Mas, para ele, o dado com taxa menor não representa escassez generalizada de mão de obra no Brasil atualmente. Ele ponderou que a falta de mão de obra pode se manifestar em setores específicos que exigem alta qualificação, dada a baixa adesão a cursos técnicos e o perfil mais generalista da formação da maioria da população. Em torno de 50% a 60% da população acima de 25 anos conta apenas com ensino médio, lembrou.

Fonte: Valor Econômico — Por Alessandra Saraiva, Valor — Rio, 27/08/2026