Túnel Santos-Guarujá: obras devem ser iniciadas na primeira semana de fevereiro

Estrutura submersa ligará as duas cidades em 5 minutos e será a maior da América Latina

O início oficial das obras do túnel Santos–Guarujá, uma das intervenções mais aguardadas da infraestrutura brasileira, deve ser anunciado no começo de fevereiro, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), no Guarujá (SP). A data exata ainda será definida, mas o evento está previsto para ocorrer entre os dias 2 e 10 de fevereiro, segundo o ministro.

Durante a cerimônia, o governo lançará a “pedra fundamental” e assinará a ordem de serviço para o início das obras. “O presidente Lula estará indo, na 1ª semana de fevereiro, em Santos, anunciar a ordem de serviço dessa obra tão sonhada pelo Estado de São Paulo e pela Baixada Santista”, afirmou Costa Filho, em entrevista concedida nesta quarta-feira (14), em Brasília.

O projeto é considerado estratégico tanto para o escoamento de cargas do Porto de Santos quanto para a mobilidade regional. A expectativa é reduzir significativamente o tempo de travessia entre as duas cidades, hoje de até uma hora por via terrestre ou cerca de 18 minutos por balsa, para aproximadamente cinco minutos. Quando concluído, o túnel será o primeiro submerso do tipo no Brasil e o maior da América Latina.

A obra, que integra o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), será executada por meio de uma parceria público-privada (PPP) de 30 anos. O leilão, realizado em setembro de 2025, foi vencido pela portuguesa Mota-Engil, controlada em parte pela China Communications Construction Company (CCCC).

O contrato prevê investimento total de R$ 6,8 bilhões, com aporte público de até R$ 5,1 bilhões, dividido igualmente entre os governos federal e estadual.

O túnel terá 1,5 quilômetro de extensão total, sendo 870 metros submersos a 21 metros de profundidade. O projeto inclui três faixas por sentido, uma delas preparada para a futura implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de ciclovia, passarela para pedestres e uma galeria técnica destinada a serviços públicos.

A construção adotará o método de túnel imerso, tecnologia já aplicada em países como Holanda, Japão e China. Nesse sistema, módulos de concreto pré-moldados são fabricados em terra e posteriormente instalados no fundo do canal, em contraste com os túneis escavados em rocha, comuns em sistemas de metrô.

Sem experiência anterior nesse tipo de projeto, a Mota-Engil contará com o apoio técnico da CCCC, responsável por megaprojetos como o túnel da Baía de Dalian, o Shenzhen-Zhongshan Link — túnel imerso contínuo mais longo e largo do mundo, com 5 km de extensão — e a ponte-túnel Hong Kong–Zhuhai–Macau, que possui 6,7 km submersos.

Na licitação, a Mota-Engil ofereceu um desconto de 0,5% sobre a contraprestação pública anual de R$ 438 milhões, prevista no edital. Os repasses governamentais começarão após o início da operação. A Acciona, responsável pela Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, também participou do certame, mas não apresentou desconto em sua proposta.

 

 

 

Fonte: InfoMoney – Por Victória Anhesini – 14/01/2026

plugins premium WordPress